Estudo ABF/Sebrae feito pelo Ipespe mapeia oportunidades e desafios das redes
Mapeamento do franchising mostra predominância de redes menores, intenção de expansão e desafios ligados a custos, tributação, crédito e mão de obra.
Publicado em 05/11/2026 às 22:40

O franchising brasileiro é formado, em sua maioria, por redes de pequeno porte e combina intenção de expansão com pressão sobre custos, crédito e contratação. Esse é o quadro traçado pelo estudo Mapeamento do Franchising Brasileiro, iniciativa da Associação Brasileira de Franchising (ABF) e do Sebrae, realizada pelo Ipespe. A pesquisa reúne dados quantitativos, entrevistas qualitativas e análise de diálogos digitais para observar a estrutura e as perspectivas do setor.
Pequenas empresas predominam
Microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP) representam 88% das operações franqueadas mapeadas: 64% são classificadas como ME e 24% como EPP. Na distribuição por segmento, Alimentação concentra 29% das operações, seguida por Saúde, Beleza e Bem-Estar (22%), Serviços e Outros Negócios (13%) e Moda (11%). Em conjunto, essas quatro áreas correspondem a aproximadamente 75% das operações identificadas.
O perfil também aparece na quantidade de unidades por franqueadora. Seis em cada dez têm até 30 operações, enquanto 25% possuem entre 31 e 100. Redes com mais de 100 operações representam 13% das pesquisadas; dentro desse grupo, 1% ultrapassa 1.000 operações. Para quem avalia uma franquia, esses dados ajudam a entender que o setor não é composto apenas por grandes marcas. Ainda assim, o porte, por si só, não informa a saúde financeira ou a qualidade do suporte oferecido por uma rede.
A internacionalização permanece limitada: menos de 10% das franqueadoras pesquisadas atuam no exterior, embora 38% demonstrem interesse em entrar em outros mercados. O estudo também identificou que 88% das redes têm franqueados que operam mais de uma unidade da mesma marca, sinal de presença da multifranquia entre os modelos observados.
Intenção de crescer, com atenção à rentabilidade
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As expectativas de expansão são favoráveis. Segundo o levantamento, 92% dos franqueadores pretendem abrir novas operações franqueadas nos próximos 12 meses, e 36% planejam realizar 21 ou mais aberturas. Ao mesmo tempo, 47% encerraram de uma a cinco operações no último ano. A intenção de abrir unidades, portanto, deve ser lida junto aos fechamentos e às condições de cada mercado, não como garantia de desempenho para uma nova operação.
Entre as estratégias identificadas estão avançar em cidades do interior, reduzir o tamanho das lojas, desenvolver estruturas próprias de produção e logística e elevar o tíquete médio. Para o candidato a franqueado, essas tendências reforçam a importância de verificar como o formato escolhido se adapta à região e quais custos e exigências operacionais envolve.
A rentabilidade é pressionada por despesas com insumos, ocupação e plataformas de entrega, além de juros elevados e consumidores mais sensíveis a preços. O acesso a recursos também é um obstáculo: 42% dos franqueadores consideram difícil ou muito difícil obter crédito e capital para expandir. A carga tributária lidera as preocupações para os próximos 12 meses (55%), seguida por mão de obra (50%), juros e crédito (34%), inflação e custos (33%) e recuo das vendas (29%).
As dificuldades variam conforme o porte. A tributação é citada por 61% das empresas médias e grandes, ante 44% das MEs e EPPs. Já as empresas menores demonstram maior preocupação com inflação e custos (40%) e queda nas vendas (37%). Mais da metade dos entrevistados relata dificuldade para contratar e reter trabalhadores, embora 60% planejem ampliar seus quadros. Atendimento, vendas, competências digitais e gestão estão entre as habilidades procuradas.
Tecnologia e formatos diversos
A transformação digital aparece entre as mudanças mais relevantes para o futuro do setor: 33% apontam inteligência artificial (IA) e automação, 21% destacam a profissionalização da gestão e 18%, mudanças no comportamento do consumidor. A IA já é utilizada em ao menos um processo por 75% das redes pesquisadas; outras 14% estão testando a tecnologia. Marketing e conteúdo (77%), atendimento ao cliente (68%) e operação e produtividade (54%) são as aplicações mais frequentes.
A loja de rua segue como formato predominante, presente em 86% das redes. Quiosques e operações home based aparecem, cada um, em 17%, enquanto 13% adotam e-commerce próprio. A diversificação pode permitir estruturas distintas, mas a adequação depende das necessidades do negócio. O levantamento ainda registra práticas ESG em 76% das franqueadoras, com destaque para responsabilidade social (53%), diversidade e inclusão (51%) e sustentabilidade ambiental (49%).
O estudo também informa que 59% dos franqueadores afirmam que o faturamento de suas redes cresceu ou cresceu muito em 2026, na comparação com 2025; 24% relatam estabilidade e 13%, queda. Para os 12 meses seguintes, 85% esperam melhora. Esses indicadores refletem as respostas dos franqueadores ouvidos e não substituem a análise financeira de uma unidade específica. Antes de investir, vale avaliar custos, demanda local, necessidade de capital e suporte previsto pela rede.