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DOS DADOS AOS ALGORITMOS

Da previsão de vendas à automação de tarefas, marcas apresentam aplicações de IA e gestão digital no franchising. Veja o que perguntar antes de investir.

Publicado em 01/11/2026 às 22:20

DOS DADOS AOS ALGORITMOS

Da inteligência artificial à operação diária

A inteligência artificial começa a aparecer em diferentes etapas da gestão de franquias: do atendimento e da seleção de candidatos à previsão de vendas, à precificação e ao acompanhamento das unidades. Um estudo da ABF citado na matéria aponta que 37% das franqueadoras testam a tecnologia e 26% já a utilizam de forma estruturada. Na ABF Franchising Expo 2026, redes e fornecedores apresentam aplicações que vão além dos assistentes virtuais.

Os exemplos mostram usos variados. A Acuidar estruturou assistentes personalizados, análise de contratos, triagem de currículos e checklists operacionais. A Terça da Serra desenvolveu a Tereza IA, com linguagem voltada ao perfil de residenciais sênior, em piloto em 30 unidades. Já a Maria Brasileira lançou a MarIÁ, treinada com o conhecimento técnico da rede, e uma ferramenta própria de BI com indicadores em tempo real.

Na área comercial, a Todomoda relata que elevou a precisão da previsão de vendas de 80% para mais de 95%. A empresa também informa crescimento de 30% nas vendas na mesma loja e ticket médio 31% maior em 2026. São resultados divulgados pela marca; para quem avalia uma franquia, é importante perguntar como foram medidos e se refletem condições comparáveis às da unidade que pretende operar.

A Bio Mundo trabalha com três agentes virtuais: Ed, voltado à expansão; Mari, ao suporte a vendedores; e BIA, para atendimento e delivery, ainda em implementação. O market4u informa manter mais de 15 iniciativas de IA. Entre elas está o Pricing 2.0, presente em 75% das unidades, e um agente de SAC que realizou 24 mil atendimentos em 90 dias. A Carflix, por sua vez, usa IA para transformar interações com clientes em informações que apoiam as decisões dos franqueados.

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Sistemas conectados e controle da operação

Parte das soluções apresentadas busca integrar atividades que, em uma unidade, podem depender de ferramentas diferentes. A CPlug demonstra recursos de ponto de venda, totens de autoatendimento e integração com delivery. No caso da Oggi Sorvetes, 85% das lojas já utilizam um hub unificado de pedidos. A GCCom apresenta o caso do Bob’s em Ipanema, com robô para sorvetes, totem com reconhecimento do cliente e aplicação automática de cupons.

O Giraffas anunciou investimento de R$ 8,5 milhões em tecnologia para 2026. A rede está expandindo um sistema de ponto de venda moderno e prevê totens de autoatendimento em 100% das unidades até outubro. No Grupo Trigo, as aplicações incluem expansão, treinamento, relatórios gerenciais e delivery, além de plataformas que acompanham CMV e projeções de vendas em tempo real. A Halipar testa um auditor digital que cruza imagens de câmeras com dados do sistema de vendas para sinalizar divergências entre produção, estoque e faturamento.

A automação também pode apoiar atividades mais específicas. O Grupo Avend usa o AvendOS para monitorar máquinas de venda automática, prever consumo e otimizar abastecimento. A Cel. Lep acompanha indicadores de captação, faturamento e ticket médio e utiliza IA pedagógica alimentada exclusivamente por conteúdos próprios. O Grupo MoveEdu, que reúne Microlins, Yázigi e Prepara IA, implementou um SDR digital para qualificar leads e usa IA na análise de reuniões de consultoria.

O que perguntar antes de investir

A quantidade de ferramentas, por si só, não esclarece o impacto para quem compra uma franquia. Antes de decidir, vale verificar quais sistemas serão disponibilizados à unidade, se estão em operação ou em fase de teste e que tarefas ficam sob responsabilidade do franqueado. Também é prudente entender como são tratados os dados, quais custos de implantação ou uso podem existir e que suporte é oferecido. Essas condições não são informadas para todas as iniciativas citadas.

A própria OMO Lavanderia destaca uma etapa anterior à expansão das aplicações: organizar a base de dados para buscar retorno real. Essa abordagem ajuda a lembrar que a tecnologia depende de informação confiável e de processos bem definidos. Na feira, a HeadOffice.ai apresenta seu modelo de franquia e demonstra agentes que já atuam em áreas como expansão, atendimento, RH e compliance em empresas citadas na matéria. Seu Frank.IA também responde dúvidas sobre franquias e ajuda visitantes a organizar o roteiro de visitação conforme o perfil.

Para o candidato, a questão prática não é apenas saber se a rede usa IA, mas entender onde ela entra na rotina, quais decisões apoia e como seus efeitos serão acompanhados. A feira reúne exemplos em diferentes estágios, de pilotos a ferramentas adotadas em parte ou em toda a rede. Informações: Revista Franquia, “Dos dados aos algoritmos”.

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