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Desafios com o fim da 6x1 para o setor de franquias

Uma eventual mudança para a escala 5x2 pode pressionar os custos das franquias, especialmente as unidades com equipes pequenas. Tecnologia e métricas podem apoiar a gestão, mas não substituem o planejamento.

Publicado em 03/11/2026 às 18:50

Desafios com o fim da 6x1 para o setor de franquias

A possibilidade de uma mudança da escala 6x1 para 5x2 coloca pressão adicional sobre o planejamento das franquias, sobretudo nas unidades pequenas. A discussão sobre a jornada de trabalho ainda é apresentada como uma eventual alteração, mas já leva empresários a avaliar como manter o atendimento sem comprometer custos e rentabilidade.

Operações pequenas podem sentir mais

Artur Grynbaum, vice-presidente do Conselho do Grupo Boticário, afirma que lojas com apenas dois ou três funcionários talvez precisem ampliar significativamente as equipes para preservar o funcionamento diante de uma escala 5x2. Segundo ele, o aumento de custos poderia chegar a cerca de 50% em operações desse porte. Em outras, o impacto estimado ficaria entre 10% e 20%.

A diferença reforça que o efeito de uma mudança na jornada não seria igual para toda a rede. O tamanho da equipe, os horários de abertura e o movimento de cada unidade influenciam a necessidade de reposição de pessoal. Para o candidato a franqueado, isso torna importante entender como a operação é dimensionada e quais premissas de mão de obra estão consideradas no planejamento financeiro da unidade.

Esses percentuais são avaliações citadas na reportagem, não uma previsão aplicável automaticamente a todas as franquias. Antes de tomar decisões, o empreendedor precisará analisar sua própria rotina, custos e exigências de atendimento. A tecnologia pode apoiar esse trabalho, mas não elimina a necessidade de pessoas.

IA como apoio à escala e à gestão

Ferramentas de inteligência artificial podem ajudar a organizar escalas, estimar o tamanho das equipes e identificar os períodos de maior movimento. Com essas informações, a unidade pode buscar uma distribuição mais adequada dos recursos disponíveis, evitando manter uma estrutura que não corresponda à demanda. O objetivo, porém, é equilibrar produtividade e atendimento, sem presumir que a automação substitua a mão de obra.

A adoção também tem obstáculos. Pesquisa da Associação Brasileira de Franchising (ABF), citada na reportagem, aponta a falta de conhecimento técnico interno como dificuldade para 47% das franqueadoras consultadas. A integração com sistemas existentes foi mencionada por 39%, enquanto 38% apontaram os custos de implementação.

O especialista em tecnologia e inovação Arthur Igreja observa que a entrada não precisa começar por projetos grandes: algumas ferramentas permitem testar recursos em modelos gratuitos ou planos iniciais. Ainda assim, não há prazo universal para obter retorno. O resultado depende do problema escolhido, da aplicação e da forma de implementação. Para o franqueado, testar uma solução em uma necessidade específica pode ser mais prudente do que adotar tecnologia apenas para acompanhar uma tendência.

Métricas antes de investir

A recomendação é definir o que se pretende melhorar e estabelecer indicadores antes de iniciar um projeto. Igreja aponta como erro implementar uma ferramenta sem objetivos claros e métricas para avaliar seu efeito. Segundo uma pesquisa recente mencionada por ele, apenas cerca de 7% das empresas — com ou sem franquias — possuem indicadores para medir o retorno sobre o investimento em IA.

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Na prática, a unidade pode acompanhar medidas relacionadas ao problema escolhido, como desperdícios, tempo de atendimento, produtividade, conversão de vendas ou evolução das margens. A escolha deve ser coerente com a finalidade da ferramenta: sem uma referência inicial, fica difícil distinguir uma melhoria efetiva de uma impressão positiva sobre o uso da tecnologia.

Reforma tributária amplia o planejamento necessário

A jornada de trabalho não é a única frente de atenção. Tom Leite, presidente da ABF, avalia que a transição tributária também exigirá cuidado, em especial de empresas de serviços. A reportagem destaca a introdução da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), prevista para 2027 em substituição às contribuições federais de PIS-Cofins, e os possíveis efeitos sobre empresas, inclusive franqueadoras no lucro presumido.

A mudança pode alcançar diferentes participantes da cadeia, não apenas as franqueadoras. A IA pode apoiar simulações e o acompanhamento de despesas, mas não substitui planejamento tributário nem resolve, por si só, uma elevação de custos. O franqueado deve avaliar esses impactos com profissionais qualificados e considerar as particularidades de sua operação.

Diante de custos potencialmente pressionados, a decisão prática não é simplesmente aderir à inovação, mas verificar onde ela pode contribuir para a gestão. Mapear a necessidade, checar a compatibilidade com os sistemas existentes, capacitar a equipe e acompanhar resultados são passos que ajudam a reduzir decisões baseadas apenas em expectativa. Os dados disponíveis não informam um custo-padrão para adoção de IA nem um prazo de retorno; ambos dependem da solução e do uso feito por cada negócio.

Com informações do Correio Braziliense.

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